quinta-feira, 6 de agosto de 2015

FILME: QUERÔ


CRÍTICA - QUERÔ - É um dos filmes mais emocionantes e contundentes que vi nos últimos anos. Consegue fazer do olhar ofendido do pequeno Querô a única chama de dignidade de seu protagonista. – Carlos Reichenbach Querô, o filme de Carlos Cortez, trás a tona os garotos que permanecem a solta nas ruas. Desprovidos de oportunidades, filhos de uma miséria asfixiante, e sem rumo numa metrópole massacrante. Jerônimo (Maxwell Nascimento) é órfão, morador da baixada santista, criado pela cafetina de sua mãe. Rebelde, sem amigos e a mercê das tentações mundanas, Querô – como é conhecido – acaba indo parar na prisão. Eis o celeuma de todo o problema da vida do protagonista. No meio de outros desvalidos da sociedade, Querô é estuprado e obrigado a conviver com uma sociedade que não aceita outra moeda de troca senão a própria vida. Ou você joga o mesmo jogo, ou está fora. Querô alterna estas duas possibilidades, porém seu caminho é torto e inevitável. “Por que mãe, porque tu me pôs no mundo? Vivo de favor, durmo de favor, como de esmola. Isso presta mãe? Isso acaba com a gente. Deixa a gente ruim, mãe.” A frase dita pelo protagonista na solitária é de doer no peito. Nascimento traz para o personagem solidão, ingenuidade e raiva com uma verossimilhança que faz toda a diferença para a trama. Não sem motivo a Globo já tratou de escalar o ator para sua novela adolescente, Malhação. Maria Luisa Mendonça – impagável como a mãe de Quero – Ângela Leal, Ailton Graça – com uma comicidade que lembra o trapalhão Mussum – Eduardo Chagas, Claudia Juliana, Milhem Cortaz, Eliseu Paranhos e Igor Maxiliano. Completa o elenco de um filme intenso, provocador e triste. Outra cena que torna o expectador, cúmplice de Querô é a descoberta do amor. “Eu gosto quando tu me chama de Jerônimo, eu pareço outro cara”. Ao se deparar com o amor na figura de Lica, o menino desprovido de afeto, vê na jovem adolescente uma acolhedora chama, que rapidamente é apagada. Impossibilitado de ser o “Jerônimo da Lica”, Querô desiste. É tão pertinente um filme como Querô, que tentar justificá-lo é algo redundante. Simplesmente veja.

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