A destruição do Estado é
algo que deve ser levado a sério por toda a sociedade, se realmente pretende
romper com as desigualdades sociais e mazelas que nos atingem.
Ao contrário que omitem, o Estado Moderno não é algo natural, tem data de
criação e atende principalmente um grupo social em vez de toda a
sociedade. Após alguns séculos o Estado Moderno se aperfeiçoou a ponto de se
tornar, assim como ocorreu na religião, uma criatura que controla o criador, através de dispositivos como a educação, a legislação,
envolvidos com uma cultura pró-Estado recheada de patriotismo e nacionalismo,
tudo isso criações humanas datadas e artificiais que buscam gerar emoções que
qualquer senso racional e critico sincero não consideraria verdadeiro para a
humanidade trilhar caminhos de bem estar e liberdade.
O modelo que se apoia no Estado é uma amplificação dos preconceitos dos grupos
controladores, dominantes que podem expressar e se fazer impor através da
estrutura que construíram e onde se escondem, possuem elos de ligação e um
observador verá que existe uma tensão entre esses grupos de poderosos, pela
primazia do Estado e tudo que ele pode oferecer de vantajoso ao grupo que
consegue assumir o controle. Essas ligações entre setores sociais e o Estado,
através de sindicatos, partidos, associações e organizações dos diversos fins e
setores formam um corpo heterogêneo de influência e que realmente consegue
pelos bastidores do Estado, ter suas necessidades atendidas e encaminhadas,
deixando de fora boa parte da população. Para alguns isso é relação de classes,
o nome é de menos para a exploração e opressão real.
Cientes dessa omissão, a sociedade e principalmente quem está fora desse jogo,
deve se organizar e salientamos, se auto-organizar de forma a romper com o
modelo estatal totalitário e suas variações mais ou menos hierarquizadas,
autoritárias e representativas. São fachadas discursivas de liberdade e
democracia que levam a uma prática real de controle e submissão, pois no
bastidores do poder não há espaço para a participação popular contínua e esse
poder não tolera pressão e uma contra poder sempre o ameaça profundamente, teme
que consigamos a tão “utópica” união e gerar o perigo de ruptura
revolucionária. É por essa razão que todos os movimentos sociais,
principalmente esses que não conseguem se inserir ou controlar e ainda provocam
uma resposta de forma agressiva, retribuindo toda a violência estatal
acumulada, são caracterizados com inconsequentes, imorais, irracionais,
terrorista e qualquer adjetivo que possa justificar a importância da “ordem”
que um Estado possa oferecer, mas não o fez até agora e não faz se não for
vantajoso para os grupos que o fez e o controla.
Entenda que o Estado não é obra dos miseráveis, dos pobres, dos oprimidos e sim
é uma construção de poderosos, com poderosos e para sobretudo assegurar
vantagens aos poderosos. Nessa equação, sempre estamos de fora, recebendo as
sobras que as ambições e ganâncias possam deixar. É excludente, perverso e
inviável para um prazo longo, porque exaure os recursos naturais e concentra
riquezas em pequenos grupos, gerando um prejuízo para toda sociedade. As
mazelas continuam e dificilmente serão resolvidas dentro da lógica competitiva
que alimenta esse modelo de Estado/ hierarquizado/ autoritário/ representativo.
Repetimos nossa proposta: a sociedade, a gente, se auto-organizar, assumir
todas as tarefas relacionadas aos nossos interesses de forma direta, sem
representantes. Isso é possível, pois se o modelo que nos oprime e explora é
uma construção humana, temos a força, conhecimento para destruir o que nos
flagela e construir algo novo que não oprima e não explore ninguém, o que exige
um compromisso libertador muito maior do que uma disciplina repressora.
Assumamos o controle, levamos um novo mundo em nossos corações!
Ativista do Anarkio.net
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