sexta-feira, 29 de maio de 2015

É PRECISO TRANSFORMAR O DIA 21/08, DIA DA MORTE DO MALUCO BELEZA, RAUL SEIXAS, EM UM DIA DE LUTA



Eu já ultrapassei a barreira do som
Fiz o que pude às vezes fora do tom
Mas a semente que eu ajudei a plantar já nasceu!!!                                         
Eu vou embora apostando em vocês
Meu testamento deixo minha lucidez
Vocês vão ter um mundo bem melhor que o meu!!!
[...] Vocês serão o oposto dessa estupidez
Aventurando tentar outra vez
A geração da luz é a esperança no ar!!!

  Na música ”Geração da Luz”, Raul  nos dizia que a semente que ele ajudou a plantar já nasceu  e delega para  quem entendeu suas ideias, a tarefa de dar continuidade a elas. Após 26 anos de sua morte,  sentimos a necessidade de transformar a data do dia 21/08 em um dia de luta e, a partir daí, também quem não está engajado nas lutas diárias por nossos direitos repensar suas ações, pois só assim faremos com que a semente que Raul deixou realmente dê frutos. Não podemos apenas sair às ruas todo dia 21/08 em clima de festa para lembrá-lo e depois voltarmos para casa e tudo acaba. Temos certeza que um libertário como Raulzito, que combateu a censura à liberdade de expressão, o sistema capitalista, o poder do Estado, da Igreja e da Polícia, não se conformaria só com isso.
  Raul e Zé Geraldo deixaram claro que não podemos ficar em um apartamento “com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar” e nem “na praça dando milhos aos pombos”, enquanto tudo está acontecendo.

 Vivemos em uma sociedade dividida em classes e Raul Seixas era contrário a todo tipo de alienação que submete o individuo. Defendia uma sociedade que defendesse o individuo como único, repudiando o autoritarismo político, religioso. Posicionava-se como um anarquista.

Anarquismo é um sistema político que defende a anarquia, que busca o fim do Estado e da sua autoridade.
O termo anarquismo tem origem na palavra grega anarkhia, que significa "ausência de governo". Representa o estado da sociedade em que o bem comum resultaria da coerente conjugação dos interesses de cada um. A anarquia é contra a divisão em classes e, por consequência, é contra toda espécie de opressão de uns sobre os outros.
 O anarquismo é uma teoria política que rejeita o poder estatal e acredita que a convivência entre os seres humanos é simplesmente determinada pela vontade e pela razão de cada um.
O anarquismo recusa a reforma progressiva como meio de desenvolvimento do Estado, o qual deverá ser fruto da destruição radical da ordem estatal, por meio da ação direta.

Em letras de Raul, às vezes até desconhecidas por muitos, ele criticou e descreveu  a  sociedade capitalista de ontem e de hoje, em que a corrupção é inerente a este sistema, como podemos observar na música “Cambalache”:

"Que o mundo foi, será uma porcaria eu já sei
 Em 506 e em 2000 também
Que sempre houve ladrões, maquiavélicos e safados
Contentes e frustrados, valores, confusão
Mas que o século XX é uma  praga de maldade e lixo
Já não há quem negue
Vivemos atolados na lameira
E, no mesmo lado, todos manuseados".

 Somos vários indivíduos espalhados, neste sentido, a nossa  unidade vai abalar aqueles que sempre ignoraram o Raul, considerando-o apenas um maluco, mas no sentido pejorativo do termo. Hoje querem usá-lo para ganhar dinheiro, reforçando cada vez mais essa lógica de mercado. Um modelo econômico que leva os pobres a um comprometimento financeiro e a uma alienação imposta pela ideologia dos fetiches, em que consumir produtos cria uma sensação de bem estar e conforto.

 “Ouro de tolo” é a uma letra em que ele descreve o seu inconformismo em relação à situação vivenciada pelo cidadão, pelo trabalhador brasileiro.
 “Eu devia estar contente porque tenho um emprego, sou um dito cidadão respeitável e ganho quatro mil cruzeiros por mês. Eu devia estar feliz pelo Senhor ter me concedido o domingo pra ir com a família ao Jardim Zoológico dar pipoca aos macacos”.

E tudo isso corria sob um regime militar sangrento, tomado pelo medo, restando para as pessoas o comodismo, mas Raul afirmava que esta realidade poderia ser transformada:

“Ah! Eu é que não me sento no trono de um apartamento, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar”.

Estamos espalhados no trabalho, nas escolas e, portanto, sabemos que: "Nunca se vence uma guerra lutando sozinho".
Sambemos também o que o Raul achava dos partidos (mesmo os que apresentam em suas siglas os termos social e socialismo, trabalhadores e trabalhismo), por isso, não podemos contar  nem com eles nem com os sindicatos que estão a serviço deles. Eles acenam sempre com grandes reformas sociais e que, ao chegarem ao poder, a situação dos proletários mudará, no entanto, essa tem sido a maior ilusão na luta pela emancipação, pois você transfere sua ação para intermediários que são os grandes aliados da burguesia, pois fazem suas agitações eleitoreiras, enfraquecendo as forças dos proletariados, seus desejos de rebeldia e mudança, mas, quando as massas estão prestes a explodir, eles apontam as campanhas eleitorais como solução.
 Como bons entendedores das mensagens de Raulzito, sabemos que uma nova sociedade só será possível quando acreditarmos que a destruição do capitalismo apenas ocorrerá com o movimento real, na ação direta.  
 Temos de lutar de forma autônoma em defesa do internacionalismo, rompendo todas as barreiras entre os trabalhadores e, como dizia Che Guevara, "Se você é capaz de tremer de indignação cada vez que se comete uma injustiça  no mundo, então somos companheiros".

 Estamos aqui, tentado dialogar com aquele que realmente entendeu a mensagem  do Raul e sabe de que lado da luta de classes está. Só existem dois lados (exploradores e explorados), não existe neutralidade.
  Nós chamamos você para se unir a nossa classe (explorados), para nos juntarmos às lutas existentes e construirmos novas lutas.
 A atual conjuntura mostra, mais do que nunca, que devemos entender tudo o que está acontecendo. Além de ações, precisamos de bastante teoria, porque as duas devem caminhar juntas.

 “É nas cabeças e nos corações que as transformações têm que acontecer antes de alcançarem os músculos e se tornarem fenômenos históricos.” (Anarco–sindicalismo do século XIX). 

 Quem sabe em um destes 21/8 poderemos realizar o sonho de Raul  que ficou marcado na música “O Dia Em Que a Terra Parou”:

  "Foi assim num dia em que todas as pessoas
   Do planeta inteiro resolveram que ninguém
    Ia sair de casa, como se fosse combinado
    E em todo planeta, naquele dia,
    Ninguém saiu de casa, ninguém".  

 Podemos transformar este dia em uma grande GREVE Geral, mas para isso nós temos que batalhar bastante e tentar conscientizar fãs ou não de Raul Seixas desta necessidade.  
Raul dizia também que: 

"Tem gente que passa a vida inteira
Travando a inútil luta com os galhos
Sem saber que é lá no tronco
Que está o coringa do baralho”.

 É por isso que defendemos o voto nulo e a ação direta, por sabermos que o problema está no capital e não nos seus capachos, os candidatos que são eleitos para garantirem a mesma estrutura, sempre.


 Se você  tiver interesse em conhecer esses malucos, quer apresentar propostas, críticas e construir esta luta conosco, estamos abertos. Entre em contato:

email: metrolinha743raul@gmail.com

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