sexta-feira, 22 de maio de 2015
FILME: LINHA DE MONTAGEM
Documentário histórico sobre a gênese do movimento sindical de São Bernardo do Campo entre os anos de 1978 e 1981, quando se produziram as maiores greves de metalúrgicos na região, desafiando a repressão do final da ditadura militar. Radiografa-se a cidade no calor da grande efervescência das assembléias no estádio da Vila Euclides, onde os operários decidiam os novos rumos do movimento. As greves de 1979 e 1980 levaram à intervenção federal no Sindicato dos Metalúrgicos, à prisão de líderes, como Luís Inácio da Silva, processados com base na Lei de Segurança Nacional.
Mercedes-Benz, Karmann-Ghia, Scania e, sobretudo a imensa fábrica da Volkswagen, passaram a dar o tom do cotidiano local. Vilas, mercados, transportes se organizaram em torno das fábricas e milhões de trabalhadores se instalaram em suas proximidades.
No início daquela industrialização, de produtos pesados baseados na metalurgia, havia muitos riscos no ambiente de trabalho e a remuneração era baixa. A vida dos operários e de suas famílias era simples e com muitas restrições. Se naquela época a precariedade era quase como uma conseqüência lógica, visto que se tratava de uma situação nova, ainda em processo de consolidação, era de se esperar que com o tempo o quadro evoluísse. Mas, por força da famigerada ditadura militar, cravada no meio de nossa história recente, o que de fato ocorreu foi o agravamento das más condições.
Grosso modo, os militares empreenderam um projeto econômico atrelado ao capital estrangeiro, comprometendo-se com dívidas e tendo que enxugar o orçamento interno. Isso teve impacto direto na vida dos trabalhadores dos mais baixos escalões. Sem aumento real e com a inflação correndo solta, eles viram seu poder aquisitivo diminuir mais e mais.
Além disso, os trabalhadores também foram podados de seu poder de organização e reivindicação. A repressão foi o instrumento usado pelos governantes da época da ditadura para impor aquele modelo econômico, amordaçando qualquer manifestação contrária. No coração do capitalismo, o movimento operário foi o primeiro alvo, no início do golpe, em 1964.
O filme foi lançado pela primeira vez em 1982, mas logo censurado pelo governo federal. Foi restaurado e relançado em 2008.
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Infelizmente muitos sindicalistas desses mudaram de lado e estão mamando no poder, alguns em centrais sindicais e outros em cargos parlamentares ou executivos.
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