O denominado ÓDIO AO PT (Partido dos Trabalhadores)
teve seu acirramento em 2014, antes e após as eleições gerais. Naquela ocasião,
um considerável número de eleitores, insatisfeitos com o então e atual governo
federal, votou no candidato rival de Dilma (presidente reeleita), o tucano
Aécio Neves, fechando com chave de ouro aquele sentimento nacional de ÓDIO AO
PT. Sentimento que, após a derrota do candidato Aécio, transformou-se em ódio
revigorado (e amargurado) e que teve como principal argumento para atacar a
presidente Dilma (do PT) os escândalos de corrupção na Petrobrás.
Interessante que no Brasil, desde
que eu era garota (e olhe que eu já tenho quase meio século de vida) ouvia
denúncias de corrupção, envolvendo políticos de vários partidos. A lista inicia
com Paulo Maluf (desde as pedras preciosas até obras superfaturadas), passando
por Fernando Collor de Melo (e os “saques” da poupança em 1990, hoje eleito
senador por seu Estado natal, Alagoas e novamente acusado de corrupção),
encerrando com os tucanos Aécio Neves (com seu aeroporto familiar) e Geraldo
Alckmin (com as obras do metrô), para não citar tantos outros políticos
(inclusive candidatos da última eleição, alguns já falecidos).
No entanto, a grande parcela da
sociedade brasileira que hoje nutre o ÓDIO AO PT (e que agora tem como boneco
do Judas para malhação a presidente Dilma) apenas consegue lembrar, lamentar e
concentrar-se no escândalo de corrupção da Petrobrás.
Se não me falha a memória, no
famigerado ano em que a então ministra da economia, Zélia Cardoso de Melo,
anunciou o confisco à poupança (de ricos, pobres e remediados) houve casos de
suicídio (é sério, teve gente que se matou, na época) de pessoas que tiveram o
“saque-assalto” de seu dinheiro. No entanto, o atual escândalo da Petrobrás é
aclamado como o escândalo de maior repercussão da história da humanidade. Nem a
bomba de Hiroshima ou o holocausto-massacre aos judeus consegue causar maior
indignação, revolta e dor nas pessoas.
Sim, já era esperado que a nossa
reeleita presidente do PT, Dilma, não seguraria o rojão: inflação subindo,
aumento de impostos, de energia elétrica, de gasolina, tudo em um único rodopio
alucinado de tornado enfurecido.
É o momento de revitalizar o ÓDIO AO
PT (e agora à Dilma) para deixar clara a insatisfação contra o governo federal
reeleito.
Então surge a grande, a magnânima
ideia: o PANELAÇO. Explico: uma manifestação da sociedade brasileira encabeçada
e abraçada pela elite, pelos ricos insatisfeitos com a péssima administração do
atual governo reeleito.
Teve panelaço em bairro chique de
São Paulo, como o Morumbi, com gente fina, usando como indumentária camisa
verde-amarela, batendo panela (de Teflon) com talheres de prata, todos muito
bem comportados e nas calçadas, para não atrapalhar o trânsito e as
ambulâncias, assim como não incomodar os PMs (bem ao contrário daqueles
“vândalos”, “bárbaros” e baderneiros dos Black blocs, que quebram portas de
bancos e de lojas, ou seja, destroem a propriedade privada).
Chega a emocionar ver a galera do
panelaço contra a corrupção, contra o péssimo governo de Dilma, tendo à frente
a classe alta, religiosos, skinheads, ex-ditadores militares, políticos de
diversos partidos e mais um grupo de pessoas que pertencem à classe baixa, mas
que estão também ali, dando seu apoio à elite porque, afinal, todos devem estar
juntos, em comunhão, em verdadeira congregação de fé para manifestar seu ÓDIO
AO PT (e à Dilma!).
Afinal, está mais que provado que a
culpa pela crise da água é do PT, assim como as enchentes catastróficas que
alagaram a região norte do país é também culpa do PT (e da Dilma!).
Venhamos e convenhamos: tudo o que acontece
de ruim em nosso país (diga-se de passagem, só acontecem coisas ruins) é culpa
do corrupto e maldito PT (assim como dela, da Dilma!).
É justificável, pois, malhar esse
Judas de saia, a presidente Dilma do PT, não importando usar epítetos
depreciativos ao dirigir-se a ela como vaca, filha da puta, gorda, machona,
etc. Tudo é justificável para a manutenção desse sentimento de repúdio, de
indignação, de asco visceral que é o ÓDIO AO PT (e à DILMA!).
Só fica a perguntazinha, ao final: tirar
a Dilma e colocar quem no lugar dela? Aécio Neves, Geraldo Alckmin, Paulo
Maluf, o vice da Dilma, Michel Temer, alguém da família ACM, Marina Silva,
Bolsonaro, Tiririca, o técnico de futebol do Corinthians, MC Bundinha, Zezé de
Camargo (com ou sem o Luciano), o papa Francisco, o Silvio Santos... ???????
(professora Sônia,
março de 2015)
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