domingo, 17 de maio de 2015

ÓDIO AO PT REVISITADO


            O denominado ÓDIO AO PT (Partido dos Trabalhadores) teve seu acirramento em 2014, antes e após as eleições gerais. Naquela ocasião, um considerável número de eleitores, insatisfeitos com o então e atual governo federal, votou no candidato rival de Dilma (presidente reeleita), o tucano Aécio Neves, fechando com chave de ouro aquele sentimento nacional de ÓDIO AO PT. Sentimento que, após a derrota do candidato Aécio, transformou-se em ódio revigorado (e amargurado) e que teve como principal argumento para atacar a presidente Dilma (do PT) os escândalos de corrupção na Petrobrás.
            Interessante que no Brasil, desde que eu era garota (e olhe que eu já tenho quase meio século de vida) ouvia denúncias de corrupção, envolvendo políticos de vários partidos. A lista inicia com Paulo Maluf (desde as pedras preciosas até obras superfaturadas), passando por Fernando Collor de Melo (e os “saques” da poupança em 1990, hoje eleito senador por seu Estado natal, Alagoas e novamente acusado de corrupção), encerrando com os tucanos Aécio Neves (com seu aeroporto familiar) e Geraldo Alckmin (com as obras do metrô), para não citar tantos outros políticos (inclusive candidatos da última eleição, alguns já falecidos).
            No entanto, a grande parcela da sociedade brasileira que hoje nutre o ÓDIO AO PT (e que agora tem como boneco do Judas para malhação a presidente Dilma) apenas consegue lembrar, lamentar e concentrar-se no escândalo de corrupção da Petrobrás.
            Se não me falha a memória, no famigerado ano em que a então ministra da economia, Zélia Cardoso de Melo, anunciou o confisco à poupança (de ricos, pobres e remediados) houve casos de suicídio (é sério, teve gente que se matou, na época) de pessoas que tiveram o “saque-assalto” de seu dinheiro. No entanto, o atual escândalo da Petrobrás é aclamado como o escândalo de maior repercussão da história da humanidade. Nem a bomba de Hiroshima ou o holocausto-massacre aos judeus consegue causar maior indignação, revolta e dor nas pessoas.
            Sim, já era esperado que a nossa reeleita presidente do PT, Dilma, não seguraria o rojão: inflação subindo, aumento de impostos, de energia elétrica, de gasolina, tudo em um único rodopio alucinado de tornado enfurecido.
            É o momento de revitalizar o ÓDIO AO PT (e agora à Dilma) para deixar clara a insatisfação contra o governo federal reeleito.
            Então surge a grande, a magnânima ideia: o PANELAÇO. Explico: uma manifestação da sociedade brasileira encabeçada e abraçada pela elite, pelos ricos insatisfeitos com a péssima administração do atual governo reeleito.
            Teve panelaço em bairro chique de São Paulo, como o Morumbi, com gente fina, usando como indumentária camisa verde-amarela, batendo panela (de Teflon) com talheres de prata, todos muito bem comportados e nas calçadas, para não atrapalhar o trânsito e as ambulâncias, assim como não incomodar os PMs (bem ao contrário daqueles “vândalos”, “bárbaros” e baderneiros dos Black blocs, que quebram portas de bancos e de lojas, ou seja, destroem a propriedade privada).
            Chega a emocionar ver a galera do panelaço contra a corrupção, contra o péssimo governo de Dilma, tendo à frente a classe alta, religiosos, skinheads, ex-ditadores militares, políticos de diversos partidos e mais um grupo de pessoas que pertencem à classe baixa, mas que estão também ali, dando seu apoio à elite porque, afinal, todos devem estar juntos, em comunhão, em verdadeira congregação de fé para manifestar seu ÓDIO AO PT (e à Dilma!).
            Afinal, está mais que provado que a culpa pela crise da água é do PT, assim como as enchentes catastróficas que alagaram a região norte do país é também culpa do PT (e da Dilma!).
            Venhamos e convenhamos: tudo o que acontece de ruim em nosso país (diga-se de passagem, só acontecem coisas ruins) é culpa do corrupto e maldito PT (assim como dela, da Dilma!).
            É justificável, pois, malhar esse Judas de saia, a presidente Dilma do PT, não importando usar epítetos depreciativos ao dirigir-se a ela como vaca, filha da puta, gorda, machona, etc. Tudo é justificável para a manutenção desse sentimento de repúdio, de indignação, de asco visceral que é o ÓDIO AO PT (e à DILMA!).
            Só fica a perguntazinha, ao final: tirar a Dilma e colocar quem no lugar dela? Aécio Neves, Geraldo Alckmin, Paulo Maluf, o vice da Dilma, Michel Temer, alguém da família ACM, Marina Silva, Bolsonaro, Tiririca, o técnico de futebol do Corinthians, MC Bundinha, Zezé de Camargo (com ou sem o Luciano), o papa Francisco, o Silvio Santos... ???????
(professora Sônia, março de 2015)


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